|
A
globalização
com
suas
propostas
liberalizantes
falhou. Ao
contrário
de
alcançar
os
objetivos
apontados agravou a
situação
social
da
maioria
dos
povos
da
terra.
Diante
desse
diagnóstico,
o
consenso
de
que
é
preciso
reverter
esse
cenário.
A auto-ajuda,
ou
seja, o
desenvolvimento
com
as próprias
forças,
a
solidariedade
e
integração
regional
e o
fortalecimento
das
relações
Sul-Sul
são
as
alternativas
apontadas
pela
XI
Unctad de
São
Paulo.
De
diagnósticos
a
prognósticos
à
indicação
de algumas
linhas
de
ação
as
delegações
à Unctad
em
alguns
momentos
pareciam
ter
encontrado
caminhos
para
resolver
os
graves
problemas
da
humanidade.
Em
outros
momentos,
no
entanto,
a perplexidade parecia
maior
que
a
retórica
e a
capacidade
política
de
adotar
mudanças.
Quatro
décadas
se passaram
desde
a
criação
da Unctad e do
Grupo
dos 77,
instituições
criadas
precisamente
para
atuar
na
solução
do
impasse
provocado, de
um
lado,
pela
constante
deterioração
dos
preços
das
matérias
primas
ou
produtos
primários,
as
chamadas
comodities, e de
outro
lado,
o
aumento
dos
preços
dos
produtos
industrializados e da
brecha
entre
os paises
mais
ricos
e os
menos
desenvolvidos.
Pouco
depois
da Unctad e
por
iniciativa
do G-77 foram criadas a Fao, a Onudi, a Unesco.
Nos
bastidores
dessas
articulações
a
presença
marcante
de duas
inteligências
latino-americanas: o argentino Raul Prebisch e o
brasileiro
Celso
Furtado,
ambos
homenageados na
XI
Unctad. Eram
tempos
de descolonização, da guerra-fria e do
não
alinhamento.
Nas primeiras duas
décadas
o
número
de
membros
do G-77 praticamente dobrou. Houve a
guerra
do
petróleo
(1973), as
conferências
sobre
energia
e
sobre
matérias
primas.
Houve,
sem
dúvida,
avanços.
O
mundo
mudou
sob
o
impacto
da
revolução
tecnológica.
Mas
não
se pode
deixar
de
dar
razão
ao
delegado
latino-americano
(Nicanor Duarte,
presidente
do Paraguai)
que
expressou
sua
perda
de
confiança
nos
fóruns
ou,
o
que
é
pior,
perder
a
fé
no
valor
das
palavras.
Comparando
discursos
e
documentos
de
hoje
com
os das
décadas
anteriores,
ali
estão “os
mesmos
argumentos,
as mesmas
frustrações,
os
mesmos
resultados...”.
Não
deixou de
causar
surpresa
a
homenagem
a
Celso
Furtado,
quem
trabalhou
com
Prebisch na
criação
da Cepal,
fermento
das
idéias
estruturalistas
que
orientaram as
estratégias
de
desenvolvimento
na América
Latina
nos
anos
60/70. Ao homenageá-lo Ricupero lembrou
que
Furtado elaborou o
Plano
de
Metas
de Juscelino Kubitchek, foi o ideólogo da Sudene e o
primeiro
a dirigi-la. É
como
se estivessem atendendo ao
apelo
de
outro
latino-americano
(Carlos
Mesa,
presidente
da Bolívia),
para
recuperar
os
ideais
dos
anos
1960.
Para
rediscutir
o
papel
do
Estado,
recuperar
o
papel
do
Estado
como
ente
regulador
do
equilíbrio,
entendendo o
passado
para
garantir
um
futuro
melhor
para
as próximas
gerações.
Essas
contradições
e perplexidades ficaram
muito
bem
explicitadas no
fórum
sobre
estratégias
para
América
Latina.
Em
um
inglês
sofrível
se ouvia representantes de
países
latino-americanos
defendendo
teses
que
decoraram (decoraram,
não
aprenderam)
em
universidades
estadunidenses
ou
em
organismos
financeiros
multinacionais
sob
hegemonia
dos
Estados
Unidos. A
impressão
que
se tem é
que
os
economistas
são
os
únicos
que
ainda
defendem o
liberalismo
no
planeta
quando
até
os formuladores do
Consenso
de Washington
já
estão buscando
alternativas
para
um
modelo
que
não
deu
certo,
e
também
os
embaixadores
e
até
alguns
presidentes
dos
países
aos
quais
eles
pertencem. “Parecem hipnotizados” observou (Harold
Olmos)
jornalista
de uma
agência
noticiosa dos
Estados
Unidos.
Ouvidos
fora
do
contexto
o
recitar
dos
números
contidos
nos
relatórios
da
nova
Cepal impressionam. De
fato
houve
um
incremento
das
exportações
da América
Latina
( 27%
mais
do Brasil, 14%
mais
do
Grupo
Andino)
pela
primeira
vez
em
15
anos
houve
até
mesmo
um
superávit
em
conta
corrente
de 16
bilhões
de dólares. E os
novos
cepalinos dizendo
que
“os
períodos
de
maior
crescimento
coincidem
com
maior
disponibilidade
de cambio”.
Nos
informam
que
Brasil e Argentina
já
produzem 100
milhões
de
toneladas
de
soja.
Pergunta-se:
para
onde
foram essas
divisas?
Quem
lucrou
ou
lucra
com
as
exportações?
Ou,
como
indagava o
professor
francês
Achyuis, “por
que
o Brasil tem a
pior
distribuição
de
renda
e os paises
ricos
não
investem?”
Ele
mesmo
responde dizendo
que
nosso
problema
é
ter
que
inventar
um
modelo
de
crescimento
com
inclusão.
Certamente
isso
fez
com
que
Ricupero recordasse Lênin ao
dizer
- O
que
fazer?
Quais
as
saídas
para
as
armadilhas
financeiras?
No
seu
entendimento
a
saída
e a
força
dos
países
em
desenvolvimento
está na
nossa
diversidade
–
diversidade
de
opções,
de
estratégias,
diversidade
das
economias
nacionais,
diversidade
cultural.
Outros
reiteram
que
há
muito
espaço
para
crescimento
a
partir
de
dentro,
conceito
que
já
funcionou e
cujo
grande
exemplo
de
hoje
a
empolgar
o
mundo
é a China. A China
que,
tendo superado essa
fase,
hoje
freia
o
crescimento
e pode
investir
maciçamente
em
modernização.
Outro
europeu
(?)
complementa
a
lição.
O comercio
exterior
não
gera
emprego.
Se formos
capazes
de
satisfazer
as
demandas
por
bens,
principalmente
por
comida,
não
teremos
inflação.
Países
como
o Brasil estão
maduros
pra
um
novo
ciclo
rural
que
se contrapõe à Europa e aos
Estados
Unidos. Tem a
maior
biodiversidade
do
mundo
para
ser
transformada
em
comida,
em
fármacos;
tem as
maiores
extensões
de
terras
agricultáveis e
gente
que
reivindica
terra
para
produzir,
não
reivindica
emprego.
Há as possibilidades
ainda
pouco
exploradas nas
relações
Sul-Sul.
As
respostas
são
consensuais. O
problema
é,
sobretudo,
político
-
mais
que
econômico
–
com
componente
tecnológico.
E
Cuba
evidencia
outro
componente
do
problema.
Mensagem
enviada
por
Fidel Castro
mostra
que
a
dívida
externa
dos paises
pobres,
no
ano
em
que
foi
criada
a Unctad,
era
em
torno
de 50
bilhões
de dólares.
Hoje
alcança a
cifra
de 2,6
bilhões.
Entre
1982 e 2003,
em
21
anos,
o
mundo
pobre
pagou 5,4
bilhões
de dólares
pelo
serviço
da
dívida,
ou
seja, pagou duas
vezes
o
valor
atual
da
dívida.
Em
2003 o
Terceiro
Mundo
recebeu,
como
ajuda
oficial,
54
bilhões
de dólares e nesse
mesmo
ano
pagou aos
ricos
436
bilhões
por
juros
da
dívida.
A
análise
da
dívida
já
foi apresentada inúmeras
vezes
pelo
Centro
de
Investigação
da
Economia
Mundial de
Cuba
nos
fóruns
internacionais.
Na
apresentação
atual
acrescenta
que
em
2004 a
ajuda
oficial
recebida
pelo
Terceiro
Mundo
para
o
desenvolvimento
foi de 54
bilhões
de dólares. Nesse
mesmo
ano
os
pobres
pagaram aos
ricos
436
bilhões
por
serviço
da
dívida.
Paralelamente,
os paises
ricos
gastam 300
bilhões
de dólares a
cada
ano
em
subsídios
que
impedem o
acesso
das
exportações
dos
países
pobres
a
seus
mercados.
Os
informes
da Cepal mostram
que
América
Latina
ficou
cinco
anos
sem
crescer.
Países
como
o Brasil cresceriam a
taxas
em
torno
de 3% ao
ano
com
investimentos
da
ordem
de 14% do PIB. É o
mínimo
que
o
país
necessita
para
gerar
1.3
milhão
de
empregos
para
as
novas
gerações
que
chegam ao
mercado
de
trabalho.
Porém,
mais
de 12% do PIB
são
utilizados
para
pagar
juros
da
dívida.
Durante
quase
duas
décadas
o
país
vem apresentando
taxas
mínimas,
quando
não
zero,
de
crescimento.
As
conseqüências
são
visíveis.
A
produção
estagnada –
salvo
alguns
poucos
setores.
Taxas
de desemprego beirando os 20% acumularam
um
saldo
de
mais
de 60
milhões
de excluídos. A
renda
per
cápita de R$ 1.300,00
em
1994
era
R$ 1.200,00
em
2002 caiu
para
R$ 910,00
em
2003.
Se no
mundo,
há 25
anos
500
milhões
de
pessoas
passavam
fome,
hoje
padecem-na 800
milhões;
nos
países
pobres
150
milhões
de
crianças
nascem
abaixo
do
peso
e 325
milhões
não
vão
à
escola;
e a
mortalidade
infantil
nesses
países
é 12
vezes
maior
que
nos
países
ricos.
Em
fórum
paralelo
à Unctad, a Urbis, ocorrido
também
em
São
Paulo, a diretora do
Programa
Habitat
da Onu informou
que
há
um
bilhão
de
pessoas
em
condição
precária
no
mundo,
número
em
ascensão.
E
que
no Brasil 37% da
população
vive
em
favelas.
O
presidente
Lula
acrescentou
dados
ao
diagnóstico:
nos
anos
1960 a
renda
per
cápita das
nações
mais
pobres
era
de 212 dólares. A dos
mais
ricos
passava de 11.400.
Hoje
a dos
mais
pobres
está
em
267 dólares
enquanto
a dos
mais
ricos
chega
a 32.400 dólares. O
presidente
Lula
podia
ter
aproveitado a
oportunidade
e apresentado
para
aprovação
da
comunidade
internacional,
linhas
gerais
para
um
Plano
de
Ação
Desenvolvimentista à
Celso
Furtado no
lugar
de
apenas
batizar
o
plenário
principal
do Anhembi
com
o
nome
do
professor.
Limitou-se o
presidente
a
dizer
que
“receitas
equivocadas
nos
últimos
anos
subestimaram o
papel
do
investimento
público
e do
consenso
social
na
construção
da
estabilidade
e do
desenvolvimento”.
Lembrou
que
a
alavanca
exportadora é
fundamental,
mas
que
não
se pode
depender
somente
do
comércio,
que
é
preciso
investir
em
infra-estrutura,
incrementar
a produtividade
para
criar
as
condições
de
crescimento
do
emprego
e da
renda”.
Teria sido
mais
claro
se tivesse lido o
que
já
fora
explicitado na I Unctad,
em
1964: as
ações
para
estreitar
a
brecha
entre
os
países
ricos
e
pobres
se
funda
em
que
“a
política
internacional
em
material
de
comércio
e
desenvolvimento
deve
ter
como
resultado
uma
nova
divisão
internacional
do
trabalho
que
seja
mais
racional
e
eqüitativa
e esteja acompanhada dos
necessários
ajustes
da
produção
e do
comércio
mundiais. O
conseguinte
aumento
da produtividade e o
valor
aquisitivo dos paises
em
desenvolvimento
contribuirá al
crescimento
econômico
dos
países
industrializados e se convertera
por
tanto
em
um
instrumento
de prosperidade mundial”.
A
construção
de uma
nova
geografia
A
nova
geografia
a
que
se refere a
XI
Unctad é evidenciada no
crescimento
da participação do
Sul
no
comércio
mundial
que,
de 20% na
metade
de
decênio
de 1980, situa-se
hoje
em
30%. A
parte
correspondente
às
manufaturas
nas
exportações
dos
países
em
desenvolvimento
cresceu de 20% (115
bilhões
de dólares)
em
1980 a
quase
70% (1,3
trilhões
de dólares) no
ano
2000.
Pela
primeira
vez
na
história,
em
2003, os
Estados
Unidos importaram
mais
mercadorias
dos
países
em
desenvolvimento
que
dos
países
desenvolvidos,
ao
mesmo
tempo
que
a
porcentagem
de
suas
exportações
aos
países
em
desenvolvimento
superou 40%. O
Sul
é o
destino
de
quase
a
metade
das
exportações
do Japão e da
terceira
parte
da
União
Européia (excluindo o
comércio
dentro
da UE)
O
Sul
registra
uma participação
cada
vez
maior
na
demanda
mundial e oferece múltiplas
oportunidades
aos
países
em
desenvolvimento
para
aumentar
seu
perfil
no
comércio
internacional
e terá uma
influência
decisiva
na
configuração
dessa
nova
geografia
comercial.
Atualmente
o
comércio
Sul-Sul representa
escassa
décima
parte
do
comércio
mundial
total.
No
entanto,
mais
de 40% das
exportações
dos
países
em
desenvolvimento
se dirigem a
outros
países
em
desenvolvimento
e o
comércio
entre
eles
aumenta
ao
ritmo
de 11%
anual.
Como
bem
frisou o
secretário
geral
da ONU, Kofi Annan,
não
se
trata
de
romper
o tradicional
fluxo
com
os
países
do
Norte,
mas
sim
de
criar
novas
alternativas.
“Se os
países
em
desenvolvimento
se pusessem de
acordo
para
reduzir
pela
metade
as
tarifas
alfandegárias
que
eles
impõem uns aos
outros,
o
valor
das
trocas
comerciais
aumentariam 15.5
bilhões
de dólares”.
Com
isso
se amplia a
liberalização
multilateral
e se
desenha
a
nova
geografia
sugerida
pela
Unctad e exortada
pelo
presidente
Lula
em
seu
discurso
de
abertura
da
Conferência.
Outra
via
para
incrementar
o
comércio
Sul-Sul indicada
pela
Unctad é o
comércio
inter-regional. Cita
como
exemplo
que
27% e 12%,
respectivamente,
do
comércio
intra-Sul na
agricultura
e nas
manufaturas
se realiza no
âmbito
regional.
Indica
ainda
outra
esfera
importante
para
incrementar
a inter-dependência Sul-Sul
que
é a
área
dos
produtos
básicos,
tanto
combustível
como
outros
produtos
que
já
constituem 46% do
comércio.
O
primeiro
ministro
da Tailândia, Thaksin Shinawatra, lembrou
que
a
experiência
asiática
mostra
que
se pode
obter
bons
resultados
esperando
menos
dos
países
ricos
e enfatizando
mais
a auto-ajuda e a
cooperação
regional,
bem
como
a Sul-Sul
como
caminho
para
reduzir
a
dependência.
O
relatório
da Unctad aponta
progressos
na
constituição
de
coalizões
sobre
questões
concretas no
contexto
das negociações
comerciais
multilaterais
em
andamento
no
âmbito
do
Programa
de
Trabalho
de Doha,
como
por
exemplo,
as
entendimentos
alcançados
tanto
no
Grupo
dos 20
como
no
Grupo
dos 90. Cita
ainda
os
acordos
consultivos
inter-regionais
como
o
Foro
de
Diálogo
IBSA (Índia,
Brasil e África do
Sul).
Esses
entendimentos
tendem a
ajudar
o
Sul
a
atuar
de
forma
solidária
para
promover
com
eficácia
seus
interesses
coletivos
nos
foros
multilaterais
e
contribuir
para
um
programa
mundial de
comércio
e
desenvolvimento
verdadeiramente equilibrado e
propício
ao
desenvolvimento.
Também
considera
importante
o
fato
de
que
a Uncatad pode
ajudar
no
estabelecimento,
manutenção
e
promoção
do
diálogo
e a
confiança
entre
os
diferentes
interessados
sobre
questões
e
processos
de
importância
fundamental.
Os
diagnósticos
não
escondem a
triste
realidade.
E
não
se pode
negar
que,
felizmente
há
muita
gente
que
está buscando
modelos
alternativos.
Mas,
além
dos
economistas,
também
os
jornalistas
não
conseguem
abrir
janelas
e
perscrutar
novos
horizontes.
Joelmir Betting,
que
um
dia
(talvez
ainda
o seja) foi
quase
sinônimo
de
credibilidade,
teve a
coragem
de
qualificar
a Unctad
como
“encontro
de diplomatas
que
nada
têm a
fazer”.
Toda
a
mídia,
de
maneira
geral,
cobriu o
encontro
com
destaque
ao
factual,
sem
qualquer
análise
das
questões
de
fundo,
sem
contextualizar
a
informação.
E
isso
num
momento
em
que
a
humanidade
carece de
organismos
internacionais
com
força
para
impor
a
paz.
A Unctad é
um
dos
mais
importantes
fóruns
especializados das
Nações
Unidas. O
fato
de
ter
sido realizada no Brasil deu à
mídia
excelente
oportunidade
(perdida) de
atuar
como
instrumento
de
educação
popular,
mostrar
para
que
servem as
instituições
multinacionais,
como
atuam,
enfim,
porque
são
importantes.
Familiarizar
a
opinião
pública
da
importância
das
relações
internacionais
para
o
desenvolvimento
nacional.
Mostrar
que
o Brasil
não
está
sozinho
na
busca
de
caminhos
alternativos
para
o
desenvolvimento.
Industria
criativa
Questões
relacionadas a
comunicação
e
informação
também
foram
objeto
de
discussão
em
seminário
preparatório
realizado à
véspera
da
conferência
sobre
o
tema
“As
indústrias
criativas e o
desenvolvimento”.
Esse
conceito
adotado
pela
Unctad substitui o de industria cultural.
O
documento
apresentado à
discussão
considera
que
esse
setor
pode
prover
novas
oportunidades
de
desenvolvimento,
pois
já
é de
longe
um
dos
mais
dinâmicos
do
comércio
mundial. Os
estudos
da Unctad estimam
que
o
mercado
global
desse
setor
terá crescido de 831
bilhões
de dólares
em
2000
para
1,3
trilhões
em
2005,
um
incremento
anual
de 7%. Na Grã Bretanha o
setor
cresce 9% ao
ano
contra
2,5% do PIB.
A industria
criativa
abarca:
·
Industria
cinematográfica
·
Industria de
gravação
·
Produção
de
música
e de
teatro
·
Música
para
publicidade
·
Livros
·
Publicação de
jornais
e
revistas
·
Software
·
Fotografia
·
Arte
comercial
·
Rádio
·
Televisão
e broadcasting a
cabo
Presente
em
todos
os
países
a
indústria
criativa
pode tornar-se uma
nova
oportunidade
para
o
desenvolvimento
e
inserção
na
economia
global.
A Unctad recomenda o
fortalecimento
dos
produtores
nacionais
e da
capacidade
de
oferta
como
base
para
uma
integração
mais
efetiva
nos
mercados
mundiais.
Isso
requer,
por
sua
vez,
o
fomento
da
capacidade
local
dos
artistas
e
empresários
que
trabalham
direta
e
indiretamente
nas
indústrias
criativas.
A
experiência
dos
países
que
têm cultivado
com
êxito
sua
indústria
cultural
nacional
demonstra
que
esse
setor,
com
atividades
com
grande
densidade
de
mão-de-obra
qualificada e
com
um
elevado
valor
agregado.
Pode
ademais,
estabelecer
vínculos
úteis
com
setores
conexos
de
toda
a
economia
nas
fases
iniciais
e
finais
da
cadeia
de
produção,
em
particular
as
Tecnologias
da
Informação
e a
Comunicação
(TIC) e o
desenho.
Com
relação
às TIC se reconhece
sua
grande
influência
no
processo
de
globalização,
particularmente
nas
esferas
produtiva,
comercial
e
financeira.
Constata-se, no
entanto
que
as TIC beneficiaram
maiormente
os
países
mais
desenvolvidos,
embora
sejam
evidentes
as amplas possibilidades
que
oferecem
para
o
desenvolvimento
e a
superação
das desigualdades no
Terceiro
Mundo.
Os
documentos
apontam às possibilidades de
incrementar
as
exportações
através
do
comércio
eletrônico
e relacionam
atividades
que
devem
ser
impulsionadas
com
auxilio de
organismos
multinacionais,
nas
áreas
de ciberturismo,
elaboração
de ciberestratégias e ciberpolíticas
nacionais,
para
os
quais
recomendam
medidas
que
permitam aos
países
em
desenvolvimento
aproveitar
plenamente
os
programas
de
informática
livres
e de
código
aberto.
Paralelamente
será
criado
um
grupo
independente
para
trabalhar
sobre
questões
relacionadas
com
os
produtos
básicos
e a
utilização
da
informática
para
compartilhar
as
informações
e
conhecimentos
desse
mercado.
Ainda
nessa
área
recomenda a
criação
do
Instituto
Virtual
da Unctad
sobre
Comércio
e
Desenvolvimento
com
finalidade
de
apoiar
o
fomento
das
capacidades
nacionais
dos
países
membros
para
que
possam analizar as
questões
comerciais
e econômicas
nacionais
e
internacionais,
bem
como
formular
e
aplicar
políticas
econômicas apropriadas, elaboradas no
âmbito
nacional.
Duas
metades
do
mundo
Vários
presentes
reiteraram o
conceito
de
que
o
mundo
é
natureza
e
cultura.
Sem
um
ou
outro
não
há
vida.
De
que
a
cultura
é o
grande
elemento
propiciador do
progresso.
O
ministro
Gilberto Gil,
presente
no
seminário,
lembrou
que
para
Celso
Furtado o
desenvolvimento
requer
invenção.
Também
apontou os
riscos
das
hegemonias
crônicas
que
ainda
permanecem e exortou ao
incremento
da
cooperação
entre
os
países
em
desenvolvimento
e
abertura
de negociações
que
tenham
como
motor
a
proteção
à
diversidade
cultural,
pois
de
outra
maneira
a
cultura
corre
risco
de
desaparecer.
O
seminário
recomenda à Unctad a
adotar
políticas
que
ajudem os
países
em
desenvolvimento
a
agregar
competitividade a
sua
indústria
criativa,
após
realizar
amplo
intercâmbio
de
pontos
de
vista
e de
experiências
das
quais
selecionamos algumas
considerações:
A
ampliação
da desigualdade está ameaçando a
estabilidade
dos
países
desenvolvidos.
O
diálogo
entre
os
países
ricos
e
emergentes
está se ampliando
mais
por
imperativo
de
sobrevivência
que
por
solidariedade.
O
desenvolvimento
requer de
políticas
e de
estratégias.
O
mundo
que
conhecemos é o das
manifestações
culturais.
Inclusive
o
passado
que
não
vivemos,
mas
conhecemos
nos
é
dado
por
manifestações
culturais. A
indústria
cultural transforma as
manifestações
culturais
em
atividades
econômicas. O
produto
cultural tem
preço
e tem
mercado,
abre,
portanto,
novas
oportunidades.
As
criações
e os
criadores
também
são
produtos
de
exportação.
No
contexto
da mundialização, os
produtos
culturais
são
convertidos
em
mercadorias,
mas
é
necessário
que
se exerça
grande
vigilância
para
proteger
o
patrimônio
material
e
imaterial
dos
povos,
base
da
diversidade
cultural.
Idiomas
que
existiam
nos
séculos
anteriores,
por
exemplo,
desapareceram no
século
XX, uma
tragédia
que
não
deve
continuar
no
século
XXI.
Uma
prioridade
é
reduzir
a
hegemonia
e
promover
a
diversidade
que
fertiliza. Os
filmes
estrangeiros
são
lançados
com
mil
cópias
enquanto
os
nacionais
com
apenas
100.
Que
efeito
tem
isso
sobre
a
visão
de
mundo
das
pessoas?
Aqui
a
questão
é
como
criar
indústrias
culturais de
modo
que
sua
visão
de
mundo
esteja voltada à transformação da
sociedade.
Se há
leis
que
impedem o
monopólio
no
setor
de
geladeiras
ou
de
outros
produtos
industriais,
por
que
não
ter
leis
que
limitem a
hegemonia
dos
produtos
culturais?
O
sistema
colonial
assimétrico
que
vitimou nossas
sociedades
deixou-nos a
tradição
da
superioridade
de uma
cultura
sobre
outra.
As
sociedades
tradicionalmente oprimidas têm
dificuldade
de
superar
a
submissão
à
cultura
do
mais
forte.
A
superação
do
subdesenvolvimento
não
é uma
questão
de
crescimento
econômico,
mas
sim
de transformação da
sociedade.
Os
entraves
que
persistem resultam da
estrutura
de
poder.
A transformação
dessa
realidade
foi tentada de
forma
autoritária
e
não
deu
certo.
Agora
depende de
que
os
seres
fortaleçam
sua
auto-estima, tenham
confiança
em
existir
como
atores
e
não
como
sujeitos.
Participação da
sociedade
civil
Respondendo aos
questionamentos
sobre
o
papel
da Onu na
construção
do
desenvolvimento
e da
paz,
o
secretário
geral,
Kofi Annan, considerou
que
essa
responsabilidade
deve
ser
compartilhada
pela
sociedade
civil.
Exemplificou
com
o
fato
do
Conselho
de
Segurança
não
ter
aprovado
o envolvimento da Onu na
invasão
do Iraque e
ter
reiterado essa
negativa
recentemente.
Isso
ocorreu
devido
as
grandes
manifestações
contra
a
guerra
ocorridas na
maioria
dos
países.
Annan e Ricupero
receberam a
declaração
aprovada
pelo
fórum
paralelo
da
sociedade
civil.
O
documento
ressalta as
contradições
contidas
nos
documentos
da Unctad ao
assinalar
que
a
globalização
tem
grande
potencial
e, de
outro
lado,
mostra
um
diagnóstico
de
impactos
negativos
produzidos e
não
mostra
os
efeitos
perversos
das
guerras
e a
pobreza
de
milhões
de
seres
humanos.
As
entidades
afirmam
não
querer
uma Unctad esvaziada sendo instrumentalizada
para
operacionalizar
acordos
da OMC,
mas
sim
uma
instituição
preparada
para
enfrentar
os
desafios
do
desenvolvimento
dos paises
pobres,
incluindo os
compromissos
dos
países
do
Sul.
O
documento
exorta a
que
se devolva aos
Estados
nacionais
o
direito
soberano
para
definição
de
políticas
domésticas adequadas às
suas
realidades;
que
se detenha a
chantagem
e a
intervenção
militar
na
defesa
dos
investidores
e das
transnacionais;
que
se submeta o
comércio
e as
instituições
aos
princípios
consagrados nas
conferências
da ONU;
que
haja
compromisso
dos
governos
com
a
superação
das desigualdades de
gênero
na
definição
das
políticas
de
combate
à
pobreza.
Conclui reiterando o
convencimento
de
que
a
economia
de
mercado
não
distribui os
recursos
de
maneira
eqüitativa.
Annan disse
estar
trabalhando
para
criar
no
âmbito
da Onu
um
fórum
institucionalizado
para
discussão
e
deliberação
sobre
o
comércio
de comodities
com
participação desse
setor,
para
que
haja participação e possa
realmente
contribuir
no
debate
e
deliberações,
bem
como
ao
fortalecimento
da
instituição.
Já
houve uma
tentativa
anterior,
frustrada, de
criar
um
Conselho
para
abrigar
a
sociedade
civil.
Da
mesma
forma,
quando
se organizava a Onu na
década
de 1940 aprovou-se uma
Carta
que
previa a
realização
de uma
conferência
sobre
comércio
e
emprego.
Essa
Carta
não
foi ratificada e perdeu-se essa
sinergia
entre
comércio
e
emprego,
idéia
que
deve
ser
retomada
com
toda
a
força.
Tanto
o
fórum
da
sociedade
civil
como
os
chefes
de
delegação
presentes
afirmaram
que
querem uma Unctad
capaz
e comprometida
em
satisfazer
as
necessidades
de
desenvolvimento
sustentável,
em
especial
em
países
em
desenvolvimento.
E
todos
assinalaram
suas
frustrações
pelo
funcionamento
precário
das
instituições
e os
parcos
resultados
alcançados.
A
concessão
de
vantagens
alfandegárias
por
si
só
não
resolve, disse Jorge Batle,
presidente
do Uruguai. É
preciso
ajudar
no
desenvolvimento
dos
países
mais
pobres,
capacitando
técnicos,
enviando
médicos,
financiando a
construção
de
infra-estrutura.
Ou,
como
disse o
presidente
do Paraguai, Nicanor Duarte, estaremos perdendo
tempo
se
não
conseguirmos
que
as
recomendações
deste e
outros
fóruns
se convertam
em
normas
e
que
essas
normas
sejam respeitadas
para
favorecer
tanto
aos
ricos
e aos
pobres.
O
modelo
atual
gera
elementos
explosivos
que
ameaçam a
paz.
É
preciso
passar
do
pensamento
à
ação
e o
conceito
de
segurança
para
o
equilíbrio
requer a
criação
de
um
Conselho
de
Segurança
Econômica.
O
Grupo
dos 77 tem
posições
avançadas
que
são
mediatizadas
por
países
que
temem
confronto
com
as
potências
hegemônicas,
geralmente
ex-matrizes coloniais,
ou
têm
governos
dominados
por
políticos
e
técnicos
subservientes.
A América
Latina
teve
grandes
momentos
de
liderança
nesse
grupo
no
tempo
em
que
predominavam as
idéias
desenvolvimentistas, as
políticas
de
desenvolvimento
com
planejamento
discutidas e formuladas na Cepal
sob
a
condução
de Prebisch.
Nos
breafings
sobre
as
reunião
do G-20 se enfatizava o
fortalecimento
da
unidade
do
grupo
e os
avanços
nos
entendimentos
sobre
redução dos
subsídios
à
exportação
e os
subsídios
internos,
bem
como
na
necessidade
de
tratamento
especial
para
os
países
em
desenvolvimento.
Há
também
referência
ao
fortalecimento
das
relações
Sul-Sul.
Outro
entendimento
é
que
a
nossa
diversidade
é
nossa
força.
A
atuação
individualizada
até
agora
não
levou a
lugar
algum.
Em
países
em
que
a
agricultura
é
vital,
deve
haver
a
mesma
ênfase
para
a
eliminação
de
subsídios
que
aquela
para
a
liberação
do
comércio.
Fala-se de
acesso
ao
mercado,
mas
não
se
fala
de
garantias
para
o
desenvolvimento
sustentado.
Agricultura
e
desenvolvimento
Como
traduzir
a
diversidade
por
políticas
que
sustentem reformas na
agricultura
de
forma
a
propiciar
o
desenvolvimento
sustentado? Essa
pergunta
suscitou
diferentes
respostas
muitas marcadas
pela
intenção
de
exportar
modelos
que
tampouco
foram
originais
mas
que
deram
certo
do
ponto
de
vista
dos
centros
hegemônicos.
É o
caso
do Chile
que
tem
hoje
uma
economia
considerada
próspera
e
exemplar
assentada na
exportação
de
hortifrutigranjeiros,
incluindo
aí
o
salmão
e o
vinho,
uma
atividade
que
requer de
mão-de-obra,
portanto,
gera
empregos.
O
contraponto
são
os
produtores
de comodities,
atividade
que
geralmente
é
extensiva,
requer
pouca
mão-de-obra
e
não
distribui
riquezas.
O Chile, no
entanto,
realizou
com
muita
anterioridade reformas na
agricultura
e criou
redes
de
proteção
social.
O
processo
de
desregulamentação
e privatização melhorou a
situação
da
maioria
da
população,
particularmente
dos
mineiros
e das
comunidades
indígenas.
Em
grande
parte
dos
países
os
produtos
importados concorrem
com
os
produtos
nacionais.
A
lição
vem da Holanda
que
diz
que
a
abertura
comercial
não
pode
ser
boa
para
todo
mundo,
que
há
que
respeitar
as especificidades.
Como
as de
Angola
que
julga
importante
as
medidas
de
salvaguarda
bem
como
as
políticas
de
substituição
de
importações.
Da
Índia
à
Gana,
a
maioria
dos
países
ainda
é
agrícola.
A
questão
que
se coloca é
como
parar
a migração
para
os
grandes
conglomerados
urbanos
para
não
agravar
as
seqüelas
do
subdesenvolvimento,
a
exclusão
social
e a
fome.
O
desenvolvimento
agrícola,
portanto,
é
vital,
é
questão
crucial
para
sobrevivência
e depende de
mecanismos
para
proteger
as vulnerabilidades.
O
papel
central
da
agricultura
é na redução da
pobreza
e
por
correspondência
o
combate
à
fome.
A
constatação
de
que
não
se progrediu na redução da
fome
leva
a
considerar
a
agricultura
como
principal
fonte
de
desenvolvimento
dos
países
em
desenvolvimento.
A
Unctad
Conferência
das
Nações
Unidas
para
o
Comércio
e o
Desenvolvimento
foi
criada
em
1964,
por
iniciativa
dos
países
em
desenvolvimento
para
desenvolver
estratégias
e
políticas
de
ação
concertada
para
integração
desses
países
no
comércio
mundial. É
um
fórum
de negociação e
deliberação
intergovernamental.
Conta
com
ajuda
de
técnicos
e
organismos
especializados, realiza
pesquisas
e
análises
da
conjuntura
mundial e aprova
planos
de
ação
para
os
países
membros.
As
Conferências
são
realizadas
em
nível
ministerial
e de
cúpula
(presidentes
e/ou
chefes
de
governo).
Elas
aprovam
declarações
e
informes
que
são
encaminhados à
Assembléia
Geral
da Onu e
outros
organismos
multilaterais.
A
Junta
de
Comércio
e
Desenvolvimento
supervisiona os
trabalhos
da Unctad
entre
uma
conferência
e
outra
que
se realiza a
cada
quatro
anos
e atua
como
braço
executivo.
As
forças
que
se movem no
interior
da
conferência
são
basicamente duas: a dos
países
mais
ricos
e industrializados e a dos
países
em
desenvolvimento
fornecedores
de
matérias
primas,
representados
estes
pelo
Grupo
dos 77 e
aqueles
pelo
G-8.
Também
têm
sua
importância
os
blocos
regionais
como
América
Latina,
Ásia e
Oriente,
África,
Oriente
Médio.
Grupo
dos 77
O
maior
grupo
de
países
nas
Nações
Unidas, foi instituído
em
1964 simultaneamente à
realização
da I Unctad,
fruto
da
necessidade
de se
criar
mecanismos
de
coordenação
de
políticas
para
atuação
dos
países
em
desenvolvimento
nesse e
outros
fóruns
da Onu. O
grupo
cresceu e
hoje
tem 135
países.
Mantém o
nome
pelo
sentido
histórico.
A China tem se mantido
fiel
ao
grupo.
Talvez
por
ser
o
único
país
com
assento
no
Conselho
de
Segurança,
muitos
documentos
aparecem
como
G-77 & China. Somam
mais
de 2/3 da
humanidade.
O
maior
empenho
do
grupo
na
atualidade
é no
sentido
de
buscar
acordos
para
uma
ação
concertada
com
vistas
a
fazer
valer
os
princípios
da
Carta
da Onu voltados a
impulsionar
o
desenvolvimento
econômico
e
social
e
promover
a
paz
e
segurança
no
planeta.
Seus
membros
têm lutado
para
estabelecer
um
sistema
econômico
mundial
justo
e
eqüitativo
e
por
reformar
o
injusto
ordenamento
econômico
existente.
A
Conferência
das
Nações
Unidas
para
o
Desenvolvimento
Industrial
– Onudi –
criada
em
1965
também
por
iniciativa
dos
países
do
Terceiro
Mundo,
tem as mesmas
características
da Unctad
só
que
é uma
Conferência
dirigida à
promoção
do
desenvolvimento
industrial,
transferência
de
tecnologias
e os
problemas
dos
conglomerados
transnacionais.
Entre
as
principais
conquistas
do G-77 está a
Carta
de
Direitos
e
Deveres
Econômicos
dos
Estados;
o
Programa
Integrado
para
os
Produtos
Básicos,
incluindo o
Fundo
Comum;
e o
Fundo
Internacional
de
Desenvolvimento
Agrícola.
O
grupo
tem conseguido
avanços
nas negociações do
Sistema
Geral
de
Preferências
e no
desenvolvimento
da
cooperação
entre
os
países
do
Sul.
Um
dos
maiores
feitos
foi
fazer
com
que
a
Assembléia
Geral
da Onu aprovasse a
Declaração
e o
Programa
de
ação
para
uma
Nova
Ordem
Econômica
Internacional.
Em
2000,
em
Cuba,
o G-77 a
primeira
Cúpula
do
Sul
aprovou o
Programa
de
Ação
de
Havana
com
vistas
a
realizar
iniciativas
de
alta
prioridade
dentro
de
prazos
determinados.
Uma
segunda
Cúpula
Sul-Sul foi realizada
em
Marrakech, no Marrocos,
em
2003,
em
que
foram determinadas
medidas
concretas
para
ampliar
a
cooperação.
O G-77 reivindica a institucionalizaçao de
um
fórum
de
Desenvolvimento
Sul-Sul.
Muitos
pontos
do
programa
aprovado
em
1964 continuam
válidos,
como
o
peso
da
dívida,
a
instabilidade
dos
mercados
de
produtos
básicos,
a
eliminação
dos
obstáculos
protecionistas dos
países
ricos,
insuficiência
da
assistência
para
o
desenvolvimento.
A
esses
velhos
problemas
se agregam
novos
na
atualidade
como
as
questões
do
desenvolvimento
sustentável,
das
freqüentes
crises
financeiras,
as
subvenções
a
certos
produtos
agrícolas,
as
tecnologias
de
informação
e as
comunicações,
as
transações
ilícitas.
Os
países
em
desenvolvimento
expressam
profunda
preocupação
pela
tendência
dos
países
desenvolvidos
a
adotar
decisões
que
afetam a
economia
mundial
fora
do
marco
multilateral
do
sistema
da ONU e
sem
considerar
os
interesses
dos
países
em
desenvolvimento.
Entendem
também
que
por
maiores
que
sejam os
esforços
para
desenvolver
com
seus
próprios
recursos,
esses
esforços
precisam
ser
suplementados
com
recursos
externos.
No
contexto
da
globalização
e da
interdependência
o
grupo
prega
a reforma e democratização dos
centros
de
decisão
econômica
e
financeira;
a universalidade da
Organização
Mundial de
Comércio.
Entendem
que
economia,
finanças e
desenvolvimento
devem
ser
encarados integradamente
pelos
organismos
internacionais;
e pelas
instituições
financeiras
internacionais.
Permanentemente
luta
para
que
sejam respeitadas as
resoluções
aprovadas nas
conferências
de
cúpula
da Onu,
como
a
Declaração
do
Milênio.
|