No
tempo do Tempo:
uma
experiência editorial inovadora

 



Proposta
 

A publicação de um livro que resgate parte da história do jornalismo brasileiro torna-se essencial num momento em que se discutem questões relacionadas à formação dos jornalistas e à qualidade do ensino. A escassez de bibliografia sobre o assunto bem como as mudanças no fazer do jornalismo reiteram essa necessidade.

Livro de autoria de Wladir Dupont que relate a história do matutino paulistano "O Tempo" entre 1950 e 1960, uma experiência editorial e gráfica inovadora para a época, tendo como pano de fundo a imprensa local, muito mais diversificada e politizada que a atual, e como cenário o contexto político social do país, no auge da volta triunfal do getulismo ao poder e seu final trágico.

No tempo do Tempo: uma experiência inovadora
 

 Hermínio Sachetta, personagem histórico da intelectualidade da esquerda brasileira, e o jornal "O Tempo" formaram uma geração de competentes jornalistas que depois se consagraram em outros órgãos de imprensa da cidade: Armando Figueiredo, Orlando Duarte, Alberto Tamer, Frederico Branco, Verginiaud Gonçalves, Lenita Miranda de Figueiredo, José Yamashiro, entre outros. Seu Suplemento Literário, aos sábados, foi idealizado e dirigido pelo escritor Mario Donato, então famoso, autor do romance "Presença de Anita".

O jornal do dia seguinte estava nas bancas a meia-noite, como faria nos anos 1960 o "Notícias Populares" e a "Última Hora". As matérias de primeira página terminavam ali, na primeira página, e o jornal tornou-se popular por seu esquema editorial baseado em colunistas diários - de rádio, televisão, cinema, moda, religião, sociedade. Entre os articulistas importantes figuravam Barbosa Lima Sobrinho, o radialista paulistano Osvaldo Moles, o político Rubens do Amaral. De Londres enviava suas crônicas culturais o jovem ator Sérgio Viotti.

 A experiência sob o comando de Hermínio Sachetta durou seis anos após o que o jornal entrou em declínio devido ao aumento no preço do papel, a publicidade escassa e o desinteresse de Hugo Borghi depois de derrotado nas urnas. A empresa foi a falência e Sylvio Pereira ficou pagando suas contas e dívidas durante quinze anos. Mais tarde, o cidadão carioca, Hélio de Abreu, comprou o título "O Tempo" e reabriu o jornal no mesmo prédio da rua dos Andradas, 245. Agora secretariado por um ex-colunista de educação do antigo jornal, Francisco Carlos Sodero. Sodero, fez um jornal rotineiro, burocrático e logo foi substituído por um veterano do ofício, Vitorio Martorelli, que, ao lado de outro velho companheiro, Roberto Penna, tampouco melhorou a situação do jornal, cada vez pior na área financeira. Em 1960, atropelado por um caminhão do Exército, Martorelli, hospitalizado, afastou-se do jornal e este finalmente fechou de vez. Seu arquivo, um dos mais completos da cidade, ficou jogado na calçada durante o leilão do que havia sobrado do jornal.

 Os personagens que protagonizaram esses fatos compuseram a história do jornalismo paulista na segunda metade do século XX, um jornalismo que não existe mais, substituído pelo jornalismo de grandes empresas, geralmente multimídias, comprometidas mais com estratégias de consumo do que com projetos de caráter ideológico e político

 A Experiência Inovadora

 Fundado por Hugo Borghi, rico fazendeiro e político paulista, dissidente do Partido Trabalhista Brasileiro que ajudou a organizar após a Constituinte de 1946, o jornal "O Tempo" provocou grande impacto no jornalismo paulistano. Dirigido pelo advogado Sylvio Pereira e tendo como chefe de redação o jornalista de grande prestígio Hermínio Sachetta, além de ser o primeiro jornal inteiramente diagramado lançado em São Paulo aliava à beleza gráfica um texto claro e escorreito, com informações que tinham começo meio e fim na mesma página. Sua credibilidade fez com que sua tiragem crescesse rapidamente. Sua circulação dominical chegou, em 1955, a 60 mil exemplares certificados, encostando-se aos grandes jornais da época e obrigando seus proprietários a repensarem seus projetos. Circulavam então: "O Estado de São Paulo", "Diários Associados", Folhas, "A Gazeta", "A Gazeta Esportiva", A Hora/O Esporte, "Correio Paulistano".

 Pesquisa

 A pesquisa documental e iconográfica será realizada em coleções dos jornais da época e do próprio "O Tempo", no Arquivo do Estado de São Paulo e em coleções particulares, além de livros sobre história do jornalismo brasileiro e paulista. O material iconográfico será o da própria coleção dos jornais, com destaque para "O Tempo", e de arquivos particulares, como o de Wladimir Saccheta, filho de Hermínio, Bresser Pereira, filho de Sylvio e do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. 

 As fontes incluem também uma série de entrevistas com jornalistas (ainda vivos) que trabalharam no jornal, como Orlando Duarte, então um jovem colunista de esportes hoje na Jovem Pan. Entre os depoimentos mais importantes está o de Hugo Borghi, oitenta e poucos anos de idade, morando no Rio.

 Há aspectos ainda não esclarecidos que exigem pesquisa na Associação Comercial de São Paulo, como por exemplo, a participação acionária no jornal de um dos grandes capitalistas da época, o produtor de café Sálvio de Almeida Prado, de tradicional família paulista. A quem então serviria o jornal? Aos interesses eleitoreiros de Borghi e/ou a posições ideológicas e empresariais da burguesia cafeeira paulista incrustada na Sociedade Rural Brasileira

Características do livro: 

  • formato fechado: 20 x 27 cm

  • formato aberto: 40 x 27 cm

  • número de páginas: 240

  • fotos e imagens - número aproximado: 100

  • textos: aproximadamente 150 laudas

  • tipo de papel: couché 120 gramas

  • impressão: 2 x 2 cores

  • acabamento: brochura, com orelhas de 15 cm

  • tiragem: 3 mil exemplares